Índia, Um país em crescimento? – Breves considerações económicas de um país em ascensão
Considerado um país emergente, a Índia tem vindo, ano após ano, a crescer no ranking das economias mais fortes do mundo, já tendo ultrapassado a França.
Segundo dados de 2022 do Banco Mundial, a Índia é neste momento a quarta maior economia do mundo, com uma estimativa de PIB (nominal) de 3,1 mil milhões de dólares, em referência ao ano transato.
Com uma média de crescimento do PIB a rondar os 7% anuais, o Banco Mundial reviu o estatuto da Índia, promovendo-a de país de rendimento baixo a país de rendimento médio, o que traduz um rendimento nacional bruto per capita entre os 1036 e os 12 535 dólares.
Atualmente a Índia é a quarta potência agrícola mundial, com destaque para a produção de trigo, arroz, milho, cana de açucar, chá, batata, algodão, banana, goiaba, manga, limão, papaia e grão de bico, sendo também o quinto produtor mundial de gado bovino e ovelhas.
O setor industrial, com destaque para a indústria têxtil, assim para a indústria química, a do cimento e a siderurgia, representam cerca de 23% do PIB do país.
O setor da indústria farmacêutica tem crescido de forma exponencial, sendo o maior exportador de medicamentos genéricos a nível global e fornecendo 62% das vacinas administradas no mundo. Tem 3 mil empresas farmacêuticas certificadas pela US-FDA, oferecendo ao mercado 60 mil marcas de genéricos em 60 categorias farmacêuticas.
Mas o setor dos serviços, que representam quase metade do PIB da Índia, tem impulsionado e desenvolvido a economia do país, já empregando cerca de 32% da população ativa, fixando a terceirização de negócios na área do software e tecnologias de informação e comunicação, tendo avançado de forma muito significativa no campo do e-commerce.
No entanto, de acordo com especialistas, a economia da Índia, um país prestes a tornar-se o maior do mundo a nível populacional, ultrapassando a China, é uma má economia, pois não consegue acompanhar o ritmo de crescimento da população.
Estima-se que cerca de 80% da população ativa tenha empregos precários, muito mal remunerados e sem qualquer benefício social.
A mão de obra barata, que leva multinacionais a recorrer ao país para a manufatura e produção final de bens, está a diminuir, em parte devido às consequências da pandemia, que levaram uma significativa parte da população indiana a deixar as cidades para rumar aos campos agrícolas de origem.
Sem revitalizar a indústria transformadora de forma a torná-la atrativa e sem criar postos de trabalho coincidentes com a demanda, além de uma melhor remuneração salarial e mais segurança laboral, será difícil a Índia continuar a sua trajetória de crescimento, que muitos analistas já consideram ilusória.

