“Cristãos Novos”, A integração da Comunidade Judaica em Portugal: Misto de aceitação e de repúdio

“Cristãos Novos”, A integração da Comunidade Judaica em Portugal: Misto de aceitação e de repúdio

 

A 25 de Maio de 1773, o rei D. José decretou, por Carta de Lei, a abolição da distinção entre cristãos velhos e cristão novos, passando a última designação a ser proibida e punida por lei.

No mesmo documento, por decisão real, todos passaram a ser iguais perante a lei e aptos para qualquer atividade, “ofícios políticos, civis e eclesiásticos, sem exceção ou reserva alguma”.

Em Portugal, onde os primeiros registos de comunidades judaicas remontam ao século XI, a integração sempre foi natural, com judeus a exercerem cargos de relevância, tanto na sociedade civil como na esfera do poder.

Ao contrário de outros reinos europeus, em Portugal os diversos monarcas resistiram durante muito tempo à aplicação das diretivas de Roma e às instruções papais para discriminar judeus, nomeadamente através da obrigatoriedade de publicamente exibirem sinais identificativos, como chapéus amarelos ou símbolos hexagonais no vestuário.

No século XV, perante a entrada no país de milhares de judeus expulsos por reis católicos, começam a verificar-se as primeiras perseguições à comunidade judaica e surgem éditos afixados em espaços públicos ordenando a sua conversão ao catolicismo como condição para permanecerem em território português.

O ponto mais cruel desta perseguição verificou-se em 1506, com o designado Pogrom de Lisboa ou Matança da Páscoa, onde milhares de de judeus convertidos à força ao catolicismo e designados por cristãos novos, foram perseguidos, agredidos e mortos.

De acordo com o relato de Garcia de Resende, morreram nesse dia cerca de quatro mil pessoas, acusadas por um elemento da Igreja de São Domingos de serem as causadoras da seca, da fome e da peste que assolava o país.

Em 1536 chegou a Inquisição a Portugal, mantendo-se até 1767, estimando-se que mais de dois mil cristão novos, judeus e muçulmanos, morreram às suas mãos, nomeadamente queimados em fogueiras públicas.

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