Turquia, A reeleição de Erdogan – Breves considerações acerca da situação histórico-político-económica de um país em evolução

Turquia, A reeleição de Erdogan – Breves considerações acerca da situação histórico-político-económica de um país em evolução

 

Na segunda volta das eleições presidenciais na Turquia, realizada no passado dia 28 de Maio, o Presidente em funções, Recep Erdogan, foi reeleito com 52% dos votos, tendo tido como argumentos decisivos para a vitória, as promessas de desenvolvimento económico e a luta para travar a inflação.

Nestas eleições presidenciais, cuja primeira volta teve lugar a 14 de Maio, a Turquia viveu momentos que poderiam ter significado, pela primeira vez em muitos anos, uma viragem num país de maioria muçulmana e governado com mão de ferro desde 2014 por Recep Tayyip Erdogan, líder do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP – islamita conservador).

O seu principal rival, líder do Partido Republicano do Povo (CHP – social democrata e nacionalista) Kemal Kiliçdaroglu, encabeçou uma coligação de seis partidos da oposição, apostados em derrubar Erdogan.

E se as sondagens dos últimos meses pareciam dar à oposição novo alento, com as intenções de voto no presidente em funções e no AKP a recuarem, num país onde os meios de comunicação são totalmente dominados pelo poder político, a luta ao não ser vencida à primeira volta não deixou margem a Kiliçdaroglu.

O violento sismo que abalou o sul da Turquia, com um saldo de 50 mil vítimas mortais e a destruição de cerca de 173 mil edifícios, provocou uma ampla contestação social e críticas duras ao presidente e ao governo, pelos atrasos nas operações de socorro e pela negligência na fiscalização da construção de edifícios, tendo-se refletido de forma negativa no resultado do AKP e feito tremer Erdogan.

Sob a sua liderança, a Turquia tornou-se um player internacional com ambições a superpotência, acompanhada com muita atenção pelos países vizinhos, que vêm na sua ascensão a ascensão do primeiro país islâmico a nível mundial.

Quanto aos países ocidentais, apesar de a Turquia integrar a NATO, sempre olharam Erdogan com uma desconfiança prudente. Os Estados Unidos nunca esconderam a vontade de Erdogan deixar o poder, o que já rendeu vários incidentes diplomáticos.

Os apoiantes do reeleito presidente defenderam durante toda a campanha eleitoral que a Turquia evoluiu em variados setores, como a agricultura, a indústria, a energia e a defesa, tornando incontornável a sua voz no plano internacional, como se mostrou no último ano, com a intermediação turca na guerra provocada pela invasão russa à Ucrânia.

Já os partidos da oposição esgrimiram opiniões bem diversas, defendendo uma maior aproximação ao Ocidente e aos seus valores e condenando posições de Erdogan, como a de defender a família tradicional contra as “tendências pervertidas” da comunidade LGBT, acusando o poder de estar minado pela corrupção e de ser responsável pela degradação social e económica do país, cuja taxa de inflação foi calculada em 72% em 2022.

Kemal  Kiliçdarogu teve uma arma poderosa a seu favor: o voto curdo, com destaque para o Partido Democrático dos Povos (HDP), que se estimava valer entre 10 a 12 por cento dos votos e que lhe permitiu evitar a vitória de Erdogan na primeira volta.

Visto como um homem simples e comum, discreto, que gravava vídeos na sua humilde cozinha e defendia uma sociedade mais aberta, considerado o oposto de Erdogan, mas que, apesar de ter agregado os mais significativos partidos da oposição, acabou por não conseguir derrubar o homem de ferro da Turquia, cujo partido já se confunde com o Estado.

Coube ao povo turco a decisão nas urnas, num país que comemora 100 anos da criação da República Turca, reconhecida internacionalmente pelo Tratado de Lausanne em 1923, após a queda do Império Otomano.

Um luta pela independência iniciada em 1918 com a agonia do Império Otomano na sequência da sua entrada na Primeira Guerra Mundial e que continuou com a Guerra da Independência. Os nacionalistas turcos, sempre liderados pelo coronel Mustafa Kemal Ataturk, enfrentaram ainda a Guerra Franco-Turca, a Guerra Turca-Arménia e a Guerra Greco-Turca, acabando por alcançar a independência e a paz com a declaração da República Turca a 29 de Outubro de 1923.

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