Guiné-Bissau, Acerca das últimas Eleições Legislativas

Guiné-Bissau, Acerca das últimas Eleições Legislativas

 

As eleições legislativas realizadas no passado dia 4 de Junho na Guiné-Bissau resultaram na vitória, com maioria absoluta, da coligação PAI -Terra Ranka, liderada por Domingos Simões Pereira que, no entanto, não deverá encabeçar o próximo governo.

O nome do primeiro-ministro saído deste acto eleitoral ainda não foi anunciado, mas sabe-se que Domingos Pereira terá um projecto próprio que aponta para as próximas eleições presidenciais.

Este país africano, com problemas económicos e sociais gravíssimos, com carências em quase todos os setores da vida pública e quase sem investimento privado, desde a sua independência nunca conheceu verdadeira abundância ou paz social.

A falta de oportunidades de empregos que permitam aos mais jovens continuarem a viver no seu país, levou a um fenómeno de adesão em massa a várias formações políticas, por considerarem que o ingresso num partido é a forma mais fácil e rápida de aceder a um posto de trabalho.

Segundo o sexto inquérito aos Indicadores Múltiplos da Guiné Bissau, realizado entre 2018/2019, financiado e promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de 64 por cento da população, que pouco ultrapassa os dois milhões, é jovem.

Estas eleições legislativas antecipadas, por decreto do Presidente Umaro Sissoco Embaló, tiveram lugar devido ao facto de o Chefe de Estado ter dissolvido o Parlamento a 16 de Maio de 2022.

Num país considerado um dos mais pobres do mundo, segundo o Relatório Nacional Voluntário aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apresentado nas Nações Unidas em Julho de 2022, onde se afirma que 66,6% da população vive na pobreza e com um PIB per capita de 494 dólares, os jovens viraram-se agora para os partidos políticos à procura de soluções.

Soluções de emprego, num país onde a taxa de mortalidade tem aumentado, 50% por cento da população com mais de 15 anos é analfabeta e onde à pobreza se junta a insegurança alimentar, o trabalho infantil, normas discriminatórias contra as mulheres, falta de infraestruturas escolares.

Com relatórios internacionais onde a Guiné Bissau é apontada como uma rota de droga e onde a instabilidade política é uma constante, os desafios são muitos.

E mesmo a realização destas eleições esteve próxima de sofrer um novo adiamento (já tinham estado previstas para o final de 2022), pois o governo guineense admitiu um défice de 3,5 milhões de dólares para as conseguir concretizar, tendo apelado à ajuda internacional.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)  sinalizou a impossibilidade de levantar fundos em tão curto espaço de tempo, tendo sido a ajuda da União Europeia a salvar o acto eleitoral, ao contribuir com um milhão de euros para o Fundo Comum de apoio aos ciclos eleitorais 2023-2025 (PACE).

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